Produção musical: é possível agradar a todos os ouvintes?

Em mais uma das minha (intermináveis) navegações pela internet em busca de mais informação sobre todo assunto relacionado a criação de música (seja composição, produção e até a finalização) encontrei um artigo muito interessante, em um blog de composição de música clássica, que tem tudo a ver com o mundo da produção de música eletrônica.

No artigo o autor fala sobre uma dúvida de um dos seus leitores, sobre a questão de agradar a todos os ouvintes na hora de compor uma melodia, algo totalmente recorrente em nosso mundo da dance music, onde há sempre a dúvida/preocupação/confusão em saber se devemos tentar agradar a todos, ou simplesmente seguir nosso gosto pessoal e/ou instintos.

A conclusão que o autor chega é de que será praticamente impossível agradar a todo mundo, já que todo aspecto da música depende muito da interpretação e gosto pessoal de cada um dos ouvintes, e junto com essa conclusão ele levanta diversos pontos interessantes, os quais reproduzo a seguir.

1) Nunca vamos agradar a todos;

2) Para agradar o máximo possível, devemos fazer diversos tipos de música, diversos tipos de melodias, em diversas formas, etc..., quanto mais compomos mais chance de abranger o maior número de pessoas, e mesmo assim não agradaremos a todos;

3) O processo de criar e compor uma música tem que ser um processo divertido para nós. Não adianta fazer algo que não gostamos. O gosto pessoal sempre tem que influenciar a música composta;

4) O compositor tem que evoluir. Não podemos ficar preso a uma única estrutura, a um único tipo de música, forma, etc... Evolução Sempre!!!!

5) Compor é uma mistura de sensibilidade, criatividade, e técnicas para dar forma a nossa imaginação. Portanto, aprender as técnicas é essencial para a nossa aprimoração e consequentemente influenciar nossas músicas;

6) Se ainda não temos condições suficientes de criar algo novo, a minha sugestão é imitar sem plagiar. Além de pegar uma boa bagagem, você aprenderá um bocado, pois será obrigado a fazer análises e mais análises;

7) Criar algo novo nem sempre é o melhor caminho, nem para você e nem para sua composição. Nem sempre o que é “novo” é BOM;

8) Às vezes o que você compõe hoje não vai te agradar no futuro. Isso se deve a um amadurecimento sobre nossas ideias e nossas percepções, que mudam constantemente ao longo do tempo e ao longo de várias audições e análises;

9) Conheça o máximo de composições de outros compositores. Não os compare, pois além de injusto é contraproducente. Cada compositor viveu em uma época diferente, com exigências diferentes, assimilações diferentes, práticas diferentes, e, principalmente, intenções diferentes. Não os compare pelo gosto, mas assimile o que eles utilizaram à sua época: quais as soluções que eles deram?

10) Aceite o fato de aprender teoria e técnica. Não aceite a frase: “eu componho de ouvido”. Se alguém lhe disser isso replique-o: “eu componho de ouvido e com o cérebro!”.

11) Todos os compositores mais célebres (TODOS) estudaram técnicas de composição, harmonia, etc... Eu mesmo demorei para perceber isso e caí no erro anterior;

12) Procure a ajuda de uma pessoa mais experiente e que saiba as técnicas. Estudar sozinho, como autodidata, só fará você evoluir até um certo ponto. Mas procure alguém que seja realmente sério e honesto com a música;

13) Como já dito, se você quer compor um tipo de música, não precisa se fechar a ela e não curtir ou escutar outros tipos de música. Eu curto quase todos os tipos de música. Já fui até “metaleiro”!

14) O que importa é a música, e não o que tem por trás dela: marketing, a canção (texto escrito), os executantes (conjunto, banda, orquestra, ...), o compositor, o clipe, ... . Dessa maneira você poderá curtir tanto uma música clássica quanto uma música Hip-Hop;

15) Saiba exatamente qual é a sua intenção ao compor uma música. De nada adianta achar que esta fazendo algo se o que você fizer esta completamente diferente! Por isso, mais uma vez, aprender harmonia, forma, orquestração, contra-ponto, técnicas de composição, análises, e tantas outras coisas, fará você saber se realmente o que você fez está de acordo com o que você se propõe!

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Para ler o post original na íntegra basta clicar aqui.

Chamo a atenção para o tópico de número 11, em que ele comenta que todos os grandes compositores da história tiveram uma educação "formal" sobre música, espantando o mito de que grandes músicos nascem com algum tipo de dom sobrenatural... a genialidade deles (na minha opinião) esteve sempre no ofício da música em si.

Espero que todos esses pontos levantados pelo autor do post te ajudem a ter mais informações na hora de definir qual caminho seguir com o seu trabalho autoral.

Você tem algum outro tópico para sugerir sobre essa questão? Deixe um comentário.

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Felippe Senne

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