Fisher, Chris Lake, Evokings: esse “novo house” é a tendência de 2018 no Brasil?

Todo ano me arrisco como “profeta” aqui no blog da Make Music Now, tentando identificar qual é a grande tendência do ano em relação às sonoridades em alta nas pistas dos clubs, eventos e festivais de música eletrônica no Brasil.

Esse tipo de artigo é sempre motivado pelas inúmeras mensagens que recebo ad eternum de alunos (e não-alunos) do curso de produção da Make Music Now, os quais normalmente estão na fase de definição do caminho a seguir em suas carreiras artísticas ou num momento de transição para uma nova fase.

Em 2016, escrevi um artigo sobre o Brazilian Bass, gênero que tomou de assalto o espaço que antes era do EDM no Brasil. Em 2017, escrevi um artigo sobre o Low Bass, uma espécie de evolução do próprio Brazilian Bass que tornou-se muito popular entre os produtores e DJs do país. Já neste ano, me arrisco a dizer que estamos num momento importante de renovação da “cara” da cena eletrônica, com o surgimento de um novo tipo de house/tech house.

Fisher

"Brasileiro adora inventar nome de gênero musical", diriam os críticos mais ferrenhos de qualquer inovação. E, para o desespero dos mesmos, este ano entre os DJs e produtores musicais brasileiros nasceu um termo categorizando essa nova sonoridade: Nu House.

Capitaneando essa renovação estão dois ícones internacionais: Chris Lake e FISHER; já no Brasil o duo Evokings repaginou seu projeto artístico, dando uma cara nova na vibe do projeto, podendo ser apontados como os early adopters do Nu House no país.

Chris Lake

E são vários os indícios de que essa virada de vibe/sonoridade está ocorrendo de forma maciça, começando pelo line up de grande festivais brasileiros, como o Só Track Boa Festival, que tem como principais headliners FISHER e Chris Lake, além de outros artistas com uma vibe mais House.

Para a surpresa dos fãs do "EDM clássico", a faixa mais tocada no Tomorrowland 2018 (um dos berços da sonoridade EDM/Big Room) não foi um dos típicos suspeitos de todos anos, mas sim uma track também na vibe Nu House: o hit "Losing It" do FISHER, superando "Levels" do Avicii, que por motivos óbvios seria executada à exaustão.

Além de "Losing It", são vários os hits na vibe Nu House que invadiram as pistas do Brasil em 2018 como "Ya Kidding", "Stop It", "Crowd Control", "Ya Didn't" do FISHER; "Operator (Ring Ring)", "I Want You", "Turn Off The Lights", "Give Her Right Back", entre outras do Chris Lake; e do estúdio do Evokings saíram bombas como "You Say", "Barbra" (collab com JØRD), "WTF" e o remake do clássico "In The Air Tonight" de Phil Collins.

Evokings

Não faltaram suportes de peso para o Evokings desde a sua "repaginação nu house", ganhando destaque nas principais playlists editoriais eletrônicas do Spotify, além de figurar nos sets e podcasts de nomes como Fedde Le Grand e Vintage Culture.

Na própria comunidade de produtores de música eletrônica do Brasil o gênero e seu nome de batismo rapidamente ganharam popularidade: já estão pipocando na web tutoriais ensinando a criar seus timbres, além de recentemente o Studio Tronnic anunciar o lançamento de um novo soundbank de Nu House & Tech House.

Levando pro "lado nerd da força", o elemento protagonista do gênero é o sound design dos leads (synth principal) nos drops, abusando de distorção e automações de pitch,  mixados "na cara" do ouvinte, com uma base do tech house tradicional para sustentar o groove/ritmo. Essa combinação de inovação com funcionalidade/familiaridade costuma ser perfeita para a dance music, já que qualquer track do gênero invariavelmente precisa "funcionar" na pista, no jargão dos DJs.

"Sabemos que esse lance de dar nome pra gênero de música é sempre controverso, porém muita gente vinha perguntar pra gente qual era o 'estilo' das tracks que estamos produzindo atualmente, daí começamos a brincadeira de chamar de Nu House, e acabou que pegou. Honestamente não acreditamos que o tipo de som que fazemos seja um tech house tradicional, daí veio o batismo pra essa sonoridade", comenta Wagner, uma das metades do Evokings.

O movimento Nu House chega num momento de total saturação do Brazilian Bass para novos artistas, ou seja, numa hora em que não há mais interesse (ou atenção) por parte do público por novos artistas que vêm repetindo essa fórmula. Portanto, este pode ser o caminho perfeito para que um artista ainda no anonimato se posicione e imprima seu estilo pessoal dentro do novo gênero.

Röde

Outros membros da comunidade de produtores da Make Music Now se identificaram com esse movimento, incluindo o talentoso DJ e produtor musical Rodrigo Cabañero com seu recém-criado projeto Röde, que já tem diversos lançamentos agendados no selo HUB Lab da HUB Records, além de uma collab com o próprio Evokings.

Portanto, mais uma vez proponho a abertura de um debate aqui nos comentários:

SERÁ A SONORIDADE 'NU HOUSE' PREDOMINANTE NA CENA BR EM 2018/2019?

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Felippe Senne

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