JØRD, LOthief, Kyle Watson, rrotik: será o “Low Bass” a tendência de 2017 no Brasil?

Em março de 2016 fiz um post de natureza parecida com a proposta deste que você lê: uma espécie de constatação da consolidação do polêmico subgênero “brazilian bass”, que a cada dia na época se tornava o gênero musical predominante nos clubs, eventos e festivais eletrônicos do Brasil, no momento em que o “EDM/Big Room” dava os seus últimos suspiros no país.

Deu no que deu, e uma nova safra de artistas eletrônicos se consolidou, como os Cat Dealers, Liu, Vinne, Illusionize, além dos já bem estabelecidos Alok e Vintage Culture, os quais se tornaram verdadeiros superstars, com relevância internacional, vide o hit “Hear Me Now”.

Uma saturação desta linha de som aconteceu, algo inevitável, principalmente no universo eletrônico onde os ciclos são bem mais curtos do que universo pop/mainstream, o que abriu margem para novas experimentações e sonoridades por parte dos artistas ainda não-estabelecidos.

E neste ano (2017) uma leva de novos artistas (e antigos artistas com novos projetos) vem explorando uma sonoridade que remete ao “brazilian bass” e “deep house brazuca”, porém com novos timbres, nova atmosfera e, naturalmente, com uma vibe mais fresh que a dos antecessores.

Kyle Watson

Esse gênero, que ganhou muita popularidade com a vinda das turnês do excelente DJ e produtor sul-africano Kyle Watson, começou a ser experimentada, adota e evoluída por diversos artistas nacionais, tendo os jovens JØRD e LOthief como principais embaixadores do estilo no Brasil.

Os resultados já começaram a pintar: os remakes de "Heads Above" e "Human" do JØRD, projeto do jovem DJ e produtor musical Jordan Malato (20 anos), conquistaram o suporte do Vintage Culture e Cat Dealers respectivamente, e um número alto de plays nas plataformas digitais.

JØRD

Já o LOthief, projeto do DJ e produtor musical Leandro Souza (23 anos), foi um dos grandes vencedores do remix contest da faixa "Gravity", tendo seu remix lançado pela Sony Music.

O reconhecimento das produções de "low bass" do LOthief também veio por parte 'godfather' Kyle Watson, que recentemente lançou os singles "Around U" e "Tootski" no Box of Cats, selo que mantém com outros mestres da sonoridade: Wongo, Jeff Doubleu, Jak Z, Tom EQ e Marc Spence.

LOthief

Como todo gênero, o "low bass" segue algumas receitas: bassline com notas longas e bem graves, timbres que remetem ao clássico 'reese bass' (timbre popular nas produções eletrônicas dos anos 80), wobbles, triplets, muitas automações de pitch bend, e vocais sérios e profundos.

E assim com nos gêneros consagrados, o batismo do "Low Bass" também tem a sua história: "quando começamos a lançar as tracks nesta sonoridade, um monte de gente vinha me perguntar qual era o nome do estilo, pois queriam pesquisar outras tracks e artistas da mesma linha" comentou LOthief.

JØRD contou de onde veio a ideia do nome: "como esse tipo de som explora muito as frequências graves e subgraves, de forma mais intensa até que o brazilian bass, resolvemos apelidar de Low Bass nossas tracks nessa linha".

Apesar de estar num momento de aposta, particularmente consigo perceber através das demos que recebo na HUB Records, em promos diversos e também no Fórum da Make Music Now uma adesão e interesse dos novos produtores por parte do "low bass" crescendo de forma exponencial.

[UPDATE] Tive minha orelha virtualmente puxada pela comunidade da Make Music Now, a qual demandou pelo comentários do post no Facebook a menção do rrotik, do experiente (e excelente) produtor Du Nascimento.

Segundo a comunidade, rrotik já vem seguindo essa sonoridade há certo tempo, com lançamentos em labels de expressão, como Armada e This Ain't Bristol, e suporte da Mad Decent (Diplo) e Dirtybird (Claude Vonstroke), portanto nada mais justo sua menção aqui no post (obrigado pelo puxão de orelha, galera).

rrotik

Além disso, vários outros nomes vieram à tona com esse post nos comentários do Facebook, mostrando que a sonoridade já mostra indícios da formação de uma cena em grande solidificação. São alguns deles: MKJAY, Behind-U, Malive, Holt 88, FolletoCasual Order, entre outros.

Portanto, assim como propus no post de 2016, fica o questionamento e o espaço para o debate:

Será o subgênero "Low Bass" o sucessor e alternativa ao Brazilian Bass/Deep Brazuca, e também a bola da vez na cena eletrônica nacional de 2017 nos clubs, eventos e festivais?

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Felippe Senne

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