David Bowie e o software “Verbasizer” como fonte de inspiração

Um dos principais desafios (senão o maior) de qualquer profissional do meio artístico/criativo é ter ideias e criar novo material constantemente, tanto na música, quanto nas artes plásticas, escrita, publicidade, ou seja, qualquer segmento em que o profissional precise produzir, independente do seu momento pessoal.

Porém, no mundo da música principalmente, é muito fácil encontrar gente “apontando o dedo” e criticando negativamente os artistas que se utilizam de determinados materiais pré-existentes como ponto de partida para novas criações, mesmo sendo IMPOSSÍVEL criar algo “do vácuo”, tudo que criamos tem uma referência anterior, fruto da nossa vivência e ambiente.

E recentemente a página Pensador Selvagem postou um vídeo e um texto muito interessantes, onde é mostrado o software “Verbasizer”, idelizado por ninguém menos que David Bowie, o qual foi criado para randomizar frases e gerar ideias de letras de música para o mesmo.

Confira como um grande artista, como Bowie, pode se valer de todo tipo de técnica para buscar aquela “fagulha” de inspiração, e a partir daí colocar o seu estilo e visão sobre essa ideia inicial:

“A decisão de entrar em processo criativo várias vezes pode ser mais importante do que a certeza acerca daquilo que se busca com a experiência da criação. Isso significa a relativização do foco no objetivo definido de antemão, deixando assim, que o acaso opere e demande do criador a capacidade de extrair uma elaboração artística dos mais improváveis cenários.

Essa relação entre criação e acaso é explorada de forma curiosa por David Bowie. Neste video, Bowie apresenta um pouco de sua visão sobre música, e nos fala do Verbasizer: um programa que faz com que elementos inesperados possam emergir no momento da composição.

Bowie insere fragmentos de notícias de jornal no software, que rearruma de forma anárquica as sequências de palavras. Com esse novo painel de expressões, o criador vê-se na instigante posição de encontrar inpensados significados para aquela ordenação casual de termos.

O acidental aqui é intencionalmente buscado, fazendo, assim, com que haja uma injeção de energia externa nos mecanismos de invenção de Bowie, que elabora um caleidoscópio de significados a partir do rearranjo de peças que já existem e que, misturadas de maneira fortuita, produzem contigencialmente o novo.

Às vezes, o criador encontra-se refém de suas próprias categorias criativas, viciado nos seus esquemas de solução de problemas e saturado dos lugares para onde suas ideias sempre terminam por levá-lo. Quando isso acontece, um bom caminho pode ser desestruturar alguns hábitos de invenção, inserindo no sistema informação de fora, sobre a qual não há controle.

Guia venturoso, o acaso funciona, assim, como gatilho de respiração, e pode mostrar trajetos criativos que consciente ou intencionalmente não seriam alcançados. Do ponto de vista do processo criativo, é um pouco isso o que Bowie faz, provocando, artificialmente, no melhor sentido, o surgimento do imprevisível – para, então, encará-lo como uma rota livre de acesso à produção do inédito.” 

Fonte: www.facebook.com/sobreprocessocriativo/posts/917015481747830

Se você tinha preconceito com esse tipo de técnica/atividade para criar inspiração e ideias, espero que o exemplo do Bowie ajude a espantar esses fantasmas da sua mente. 🙂

Inclusive no Curso de Produção Musical da MkMN temos várias aulas que tratam do assunto, e que vêm abrindo a mente de vários de nossos alunos na questão de não se limitarem a apenas uma técnica ou processo de criação, dessa forma abraçando sem preconceitos qualquer material ou atividade que gere novas ideias.

O que achou do recurso de usar um software para gerar ideias? Comenta aí!

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Felippe Senne

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